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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Interpretação

Ao ler o conto de Clarice Lispector, foi como contar um livro para uma criança. O processo foi engraçado até. Vou escrever um pouco como aconteceu.
Sentei na minha escrevaninha no silêncio do quarto, apenas com pequenos barulhos do lado de fora, como cachorros latindo, ônibus passando, carro brecando, buzinas etc. Me concentrei no texto, primeiramente no título, após, fui lendo devagar... desta vez não se passou nada, não houve suor, tremores, nada. Ao continuar passar os olhos no conto, fui imaginando a cena em minha mente, engraçado, pois lembrei que já havia lido esse texto uma vez, para uma criança no hospital, quando fazia trabalho voluntário.
Continuando, a ler minha mente foi se transformando em imagens e, quando terminei fiquei muito satisfeita por ter entendido e gostado de ler.
Depois, fui comentar o texto para meu irmão, perguntei a ele se conhecia o conto, ele disse que não se lembrava e pediu para que eu contasse, contei! E, foi engraçado... ele entendeu! Isso para mim, foi inédito pois quando era pequena, menor, não conseguia ler e explicar os textos, livros, etc. Tinha dificuldade de entender, e, hoje vejo que na prática e ao desprender da vergonha, consigo fazer o que mais temo, tanto ler em voz alta como explicar o que entendi de um conto ou texto.